sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Desempenho Escolar

CONSELHO DE AMIGO
A cada bimestre, os professores devem avaliar o ensino que a escola está ministrando, e não apenas o desempenho individual dos alunos


O primeiro Conselho de Classe e Série do ano marca o momento de avaliar o trabalho realizado no bimestre. Direção, professores e professor-coordenador devem-se reunir para analisar o desempenho das classes e determinar formas de sanar possíveis falhas. Sonia Teresinha de Sousa Penin, professora titular de Didática da Faculdade de Educação da USP e responsável pela Coordenadoria de Ensino da Região Metropolitana da Grande São Paulo (COGSP), e Arlete Scotto, pedagoga e delegada da 14ª Delegacia de Ensino, dão, a seguir, sugestões para que a equipe escolar torne o Conselho um meio de alcançar a melhoria da qualidade de ensino.

Mudar o foco da avaliação do individual para o coletivo:

A classe deve ser avaliada como um todo, e não os casos particulares de alunos. O professor não pode estar satisfeito se 25% dos alunos vão muito bem, 50% se encontrem na média e “apenas” 25% estejam indo mal. Todos os alunos devem estar aprendendo em uma sala de aula. Cabe à escola definir as estratégias para que as dificuldades de um grupo específico de alunos sejam superadas.

Avaliar o ensino, não apenas a aprendizagem:

O tema principal da reunião é a qualidade do ensino ministrado, relacionada aos resultados obtidos pelas classes, e não as notas alcançadas pelos estudantes. O trabalho desenvolvido em sala de aula deve ser analisado, inclusive a prática da avaliação. Relativize o papel das provas bimestrais somando-as a outros instrumentos, em função do aprendizado do aluno.

Procurar objetividade:

É fundamental afastar preconceitos que possam interferir na avaliação. Os resultados obtidos pelos estudantes em termos do domínio de conteúdos e habilidades devem ser analisados sem estigmatizá-los por suas características comportamentais, físicas, raciais ou socioeconômicas.

Contribuir para a dinâmica do Conselho:

O professor-coordenador e o diretor, responsáveis pela preparação da reunião, deverão montar gráficos ilustrando o desempenho das classes nas diferentes disciplinas, o que pode estimular as comparações. Os debates ficarão mais ricos com o relato de casos estudados em conselhos anteriores ou em pesquisas que tiveram como objeto de estudo as escolas da Rede. A colaboração do supervisor pode ser útil na análise da situação da escola.

Estabelecer estratégias de mudança:

Ao final da reunião, a equipe deve estar ciente de que o problema da não-aprendizagem é da instituição Escola, e não do aluno. O segundo passo é admitir suas deficiências e determinar o tipo de capacitação que necessita. Cabe aos docentes sugerir temas para as próximas reuniões de HTP (hoje HTPC)* e propor projetos de reforço e recuperação. O grupo deve determinar formas para aprimorar os instrumentos de avaliação, alterar as sitemáticas de trabalho e diversificar os recursos utilizados em sala de aula.

Preparar-se para a reunião de pais:

O Conselho é um bom momento para planejar a reunião de pais. Nas escolas onde a estratégia escolhida é a de professores-coordenadores para as classes, a reunião é a melhor oportunidade para conhecer a fundo o desempenho dos alunos e tornar-se apto para esclarecer as dúvidas dos pais. As famílias devem não apenas receber as médias alcançadas pelos filhos, como também ser informadas sobre a forma de ajudá-los em casa e sobre as ações da escola para sanar falhas detectadas. É essencial que o diretor e o professor-coordenador participem da reunião, apresentando aos pais o projeto da escola e seus objetivos e ressaltando a importância de sua participação para o sucesso escolar do aluno.





Fonte: Texto extraído do Jornal Escola Agora Aprendendo sempre. Ano II – nº 10 – abril 1997 – Secretaria de Estado da Educação – São Paulo. p. 1



terça-feira, 15 de novembro de 2011

LETRAS ESPELHADAS: O QUE FAZER?

Espelhar letras e números é comum no início da alfabetização.
Pesquisando sobre o assunto podemos ajudar os alunos a superar suas dificuldades.

Algumas trocas fazem parte, já que as crianças estão sistematizando suas hipóteses de escrita, porém alguns alunos espelham palavras e frases inteiras. Esta pode ser uma característica de DISGRAFIA. Mas isso não significa que as crianças que espelham letras e números sejam disgráficos! Os especialistas não consideram o ‘espelhamento’ um problema de aprendizagem, dependendo da idade da criança.
A disgrafia típica seria a escrita em espelho, ou escrita espelhada. A criança que escreve em espelho não tem uma representação estável dos traços componentes dos grafemas e possui apenas parte da informação, por isso, produz uma confusão e uma escrita em espelho.

Algumas das possíveis causas são: 

-déficit no domínio da ação;
-da motricidade;
-da organização temporo-espacial;
-dominância manual;
-distúrbios de atenção;
-da memória.
 
As maiores dificuldades são situar as diversas partes de seu corpo, umas em relação às outras, as noções de alto, baixo, frente, atrás e sobretudo, direita e esquerda. Cada letra é percebida isolada e corretamente, mas as relações que a criança estabelece entre elas não são estáveis, dependem do sentido de deslocamento do seu olhar, esquerda-direita, ou vice-versa.

O motivo mais comum para as crianças em fase de alfabetização escreverem espelhado relaciona-se à imaturidade dos neurônios, que ainda não permite à criança um domínio completo de posições e direções espaciais. A lateralidade também pode estar indefinida, impossibilitando o aluno de transferir as noções de direita e esquerda para algo externo a si próprio, no caso, a folha de papel.
A construção da escrita é um dos últimos processos de aprendizagem e um dos mais complexos a ser adquirido pelo homem.

Fonte:artigo escrito por Sintian Schimidt.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Diagnóstico e tratamento do Asperger

Por ser um transtorno reconhecido recentemente pela comunidade médica, é lógico que a Síndrome de Asperger seja ainda desconhecida para a população em geral e inclusive pela comunidade científica. Por esta razão, muitos casos não estão diagnosticados ou recebem um diagnóstico equivocado. No entanto, é importante estabelecer um diagnóstico o mais cedo possível para poder realizar um tratamento adequado e não piorar a situação, o que significaria um quadro de baixa auto-estima, fracasso escolar, depressão, para o doente.
Critérios diagnósticos
A maioria dos casos de Síndrome de Asperger são diagnosticados na idade de 7 anos ou mais tarde. Segundo a Associação Americana de Psiquiatria, os critérios diagnósticos se baseiam em algumas pautas:
1. Nas dificuldades qualitativas de interação social;
2. Padrões de comportamento, interesse e atividades restritas, repetitiva e estereotipados que manifestam; 
3. Deficiência clinicamente significativa na área social, ocupacional e em outras áreas importantes do desenvolvimento; 
4. Atraso clínico significativo na linguagem;
5. Atraso clínicamente significativo para sua idade cronológica, no desenvolvimento cognitivo, de habilidades de auto-ajuda e adaptação, ou de curiosidade pelo ambiente que o cerca.
6. Não se cumprem os critérios de outro transtorno generalizado de desenvolvimento, ou de esquizofrenia..
E o tratamento da Síndrome de Asperger?
Um plano de tratamento só pode se estabelecer quando existe um trabalho conjunto entre pais, educadores e médicos. No entanto, deve-se considerar algumas regras de proteção para uma criança com Síndrome de Asperger, e que necessitam que sejam cumpridas:
1. Não gostam que lhes interrompam sua rotina. Devem ser previamente preparados se tiverem que aplicar alguma mudança na sua vida. 
2. Deve-se aplicar as regras com muito cuidado e com certa flexibilidade. 
3. Os professores devem aproveitar ao máximo as áreas que despertem o interesse da criança, e tentar que os ensinos sejam concretos e objetivos. 
4. Pode-se recompensar com atividades que interessem à criança quando ele tenha realizado alguma tarefa de forma satisfatória.

5. Utilizar as ferramentas visuais na educação dessas crianças porque podem responder muito bem às mesmas. 
6. Evitar o confronto. Eles não entendem regras rígidas de autoridade ou irritação. Podem tornar-se inflexíveis e teimosos.

7. Devem estimulá-los para que tenham amigos, melhorando sua participação em grupo, e reforçando aos companheiros que também o estimulem a participar.
Normalmente, a medicação está contra-indicada no processo de tratamento. No entanto, em situações concretas, como os estados de ansiedade, depressão ou de falta de atenção, pode ser utilizada, desde quando seja com a orientação restrita do médico.

Sintomas da Síndrome de Asperger

Como sempre afirmamos, cada criança é um mundo e não se pode generalizar. Menos ainda nos casos de Asperger. Um diagnóstico preciso e seguro só poderá ser dado por um  médico especialista, assim como o devido tratamento.
No entanto, existem algumas características que podem ser observadas pelos pais quando seus filhos tenham entre 2 e 7 anos de idade. Normalmente, uma criança com Asperger pode apresentar algumas características com maior frequência. Aqui, apresentamos algumas:

1- Habilidades sociais e controle emocional

Síntomas do Asperger
- Não desfruta normalmente do contato social. Relaciona-se melhor com adultos que com crianças da mesma idade. Não se interessa pelos esportes.
- Tem problemas de brincar com outras crianças. Não entende as regras implícitas do jogo. Quer impor suas próprias regras, e ganhar sempre. Talvez por isso prefira brincar sozinho.
- Custa-lhe sair de casa. Não gosta de ir ao colégio e apresenta conflitos com seus companheiros.
- Custa-lhe identificar seus sentimentos e os dos demais. Apresenta mais birras que o normal. Chora com facilidade por tudo.
- Tem dificuldades para entender as intenções dos demais. É ingênuo. Não tem malícia. É sincero.

2- Habilidades de comunicação

- Não pode olhar nos olhos quando fala contigo. Crê em tudo aquilo que lhes dizem e não entende as ironias. Interessa-se pouco pelo que dizem os outros. Custa-lhes entender uma conversa longa, e muda de tema quando está confusa.
- Fala muito, em tom alto e peculiar, e usa uma linguagem pedante, extremamente formal e com um extenso vocabulário. Inventa palavras ou expressões idiossincrásicas.
- Em certas ocasiões, parece estar ausente, absorto em seus pensamentos.

3- Habilidades de compreensão

- Sente dificuldade em entender o contexto amplo de um problema. Custa-lhe entender uma pergunta complexa e demora para responder.
- Com frequência não compreende uma crítica ou um castigo. Assim como não entende que ele deve portar-se com distintas formas, segundo uma situação social.
- Tem uma memória excepcional para recordar dados e datas.
- Tem interesse especial pela matemática e as ciências em geral.
- Aprende a ler sozinho ainda bem pequenos.
- Demonstra escassa imaginação e criatividade, por exemplo, para brincar com bonecos.
- Tem um senso de humor peculiar.

4- Interesses específicos

- Quando algum tema em particular o fascina, ocupa a maior parte do seu tempo livre em pensar, falar ou escrever sobre o assunto, sem importar-se com a opinião dos demais.
- Repete compulsivamente certas ações ou pensamentos para sentir-se seguro.
- Gosta da rotina. Não tolera as mudanças imprevistas. Tem rituais elaborados que devem ser cumpridos.

5- Habilidades de movimento

- Possui uma pobre coordenação motora. Corre num ritmo estranho, e não tem facilidade para agarrar uma bola.
- Custa-lhe vestir-se, desabotoar os botões ou fazer laço nos cordões do tênis.

6- Outras características

- Medo, angústia devido a sons como os de um aparelho elétrico.
- Rápidas coceiras sobre a pele ou sobre a cabeça.
- Tendência a agitar-se ou contorcer-se quando está excitado ou angustiado.
- Falta de sensibilidade a níveis baixos de dor.
- São tardios em adquirir a fala, em alguns casos.
- Gestos, espasmos ou tiques faciais não usuais.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Quando procurar um Psicopedagogo?

Desde pequenos, apresentamos algumas dificuldades relacionadas ao aprendizado, a qual caracteriza o campo de formação, pesquisa e atuação do Psicopedagogo.
Geralmente, o professor é o primeiro a perceber os sintomas dos distúrbios de aprendizagem na criança conforme dá-se início ao trabalho de alfabetização. Também podemos detectar dificuldades através de atividades motoras  como jogos e brincadeiras, antes mesmo do processo de alfabetização. Logo, procurar um psicopedagogo pode afastar desde cedo, problemas importantes de aprendizagem da vida de muitas crianças.
Os pais nem sempre conseguem detectar esses sintomas com facilidade.
Hoje,  pais e professores estão  deparando-se muito facilmente com Problemas de Aprendizagem  com suas crianças e o trabalho do psicopedagogo  na prevenção e diagnóstico da dificuldade da criança ou adolescente destaca-se, exigindo um olhar diferente para o ser humano, trabalhando com nova  escuta, nova observação e nova intervenção.

Nesse sentido, qualquer que seja a dificuldade do indivíduo em aprender, o Psicopedagogo é o profissional indicado e é por isso que deve ser procurado.







segunda-feira, 4 de julho de 2011

ALFABETIZAR: O DILEMA NOSSO DE CADA DIA

Sabemos que para aprender a ler e a escrever precisamos pensar sobre a escrita, pensar sobre o que a escrita representa, como a mesma representa graficamente a linguagem, que por sua vez está diretamente ligada aos pensamentos afetivos e que  foram processados singularmente.
Portanto estamos propondo a idéia de que há uma cadeia de significantes e significados, co-ligados por relações afetivas, sócio-culturais, interacionais, construídas ao longo do desenvolvimento humano. Sem dúvida não descartamos as possibilidades orgânicas e demais variáveis que possam interagir no processo da alfabetização/alfabetizador, porém nos deteremos neste recorte, já que as demais variáveis não fazem parte do escopo deste artigo.
         Hoje temos uma variedade  de teorias, técnicas e modelos para a alfabetização e por outro lado encontramos ainda  uma demanda de alunos que não se “encaixam” em nenhum destes modelos conhecidos.
         Chegamos ao ponto, o “conhecido”, muitas vezes  a procura de algo familiar transforma a prática educativa em regra , levando a imposição, a rigidez conduzindo a falta de resultados no processo de alfabetização.
Nestes momentos o educador se depara com  sentimentos de impotência,  desânimo, irritação, etc. Por outro lado no  aluno,  iniciam-se  ou acentuam-se os comportamentos de apatia, agressividade, desinteresse, baixa freqüência às aulas, etc. Sem que se percebam  educador/aluno estão presos na normatização do Sistema Educacional.
Encontramos então um impasse nessa relação professor/aluno, ambos paralisados e oprimidos  pelo desejo do conhecimento perdido?! O que fazer?
Vamos  refletir um pouco do ponto de  vista cultural, a pós-modernidade,  sendo pensada como intensificadora desse processo.
A característica da sociedade  pós- moderna é  a fragmentação social, o individualismo, o consumo  mercantil-tecnológico, a classe média, a flexibilidade das idéias e dos costumes, a liberação sexual, a educação permissiva, o desejo pelos bens de serviço no lugar do poder, o mundo das especialidades e ou especialistas, etc..
.O indivíduo  vive um tempo fugaz, hendonista e narcisista,  mexendo com suas perspectivas e referências diante do conjunto social. A história, a democracia, a família, a religião e a ética tendem a esfriar, os indivíduos estão se concentrando em si mesmos, hiperprivatizando suas vidas, o que conta é o aqui-agora.
Esse panorama reflete a  nossa realidade atual, e revela a realidade  de quem são nossos alunos, esses muitas vezes  impregnados por uma cultura paralisante.
Segundo BAUDRILLARD*(1993), a sociedade vive com o advento da pós-modernidade, um imenso processo de  destruição de significados, igual a anterior destruição das aparências provocada pela modernidade.
O que parecia estar seguro e representar algo de certeza, perde as certezas. No pós-moderno, as informações se tornaram produto de manobra, os fatos são transmitidos  através de uma comunicação racional, banal, perdendo o sentido e o conteúdo emocional.
Tudo isso  fazendo parte dos noticiários (imprensa falada/escrita), das novelas, dos desenhos, dos filmes  veiculados pelos meios de comunicação de massa, como exemplo predominante à televisão. Equipamento eletrônico presente na grande maioria das casas dos  brasileiros e muitas vezes sendo a única fonte de relação/informação com o mundo.
A pós-modernidade tem como característica  colocar a prova os avanços da ciência, questionando constantemente, gerando paradigmas e pluralidade de pensamento, porém revestida como mercadoria de consumo e poder.
Sendo assim, a educação faz parte desta dinâmica também, para falarmos em Alfabetização é imprescindível falar do Alfabetizador.
Precisamos considerar a “produção do saber escolar”,  em que  condições  desenvolve a formação profissional e a humanização do conhecimento no mundo contemporâneo, tarefa essa nada fácil para o Sistema Educacional!
Portanto propomos o modelo do EDUCOMUNICADOR, segundo a autora JACQUINOT**(1998). “Não é um professor especializado encarregado do curso de educação para os meios. É um professor do século XXI, que integra os diferentes meios nas suas práticas pedagógicas.”
Essa nova identidade profissional tem a dupla função teórica, unir as ciências da educação  com as ciências da comunicação. Tentaremos neste papel  unir os vários aspectos da aprendizagem, buscando nos meios de comunicação de massa, como por exemplo, à  televisão sendo a coadjuvante desse processo facilitador.
Sendo assim, necessitamos  nos destituir  dos  pré-conceitos sobre a TV, mas considerá-la como a aliada mais próxima da comunicação, linguagem e modelos identificatórios que nossos alunos possuem em seu cotidiano, aliás muitas vezes  fazendo o papel de companhia na ausência dos pais.
Sabemos por meio de pesquisas já realizadas que o público de alunos que assistem à televisão, independente de sua faixa etária, têm uma identidade formada sob diferentes aspectos, história pessoal ,  camadas sociais diferentes, mas destacamos particularmente o saber: que é fragmentado, pautado na imagem,  no imediatismo e destituído de significados.
O educomunicador, , portanto  tem esta função,  fazer as  inter-relações destas  culturas.
Muitas escolas , possuem equipamentos eletrônicos, como TV e vídeo, porém o que notamos é o uso ineficiente e/ou raramente utilizam-se deles como recursos pedagógicos em sua sala de aula, também muito pouco é aproveitado das comunicações orais  que os alunos trazem sobre o que assistiram na  “telinha”.
Os alunos chegam à escola dominando a  linguagem oral (variante empregada por seu grupo social), influenciada pelo padrão familiar, televisão e membros da sociedade que estão culturalmente inseridos. Essa linguagem tem uma  função para a vida infantil :sua adaptabilidade  à realidade, facilitar os relacionamentos, expressar seus  sonhos, desejos, opiniões, bem como seu ingresso à vida ajudando na conquista de sua autonomia.
Portanto temos  um fato a  considerar: as crianças já chegam a escola com relativa desenvoltura, cabe ao professor dar continuidade a essa linguagem sem interrompê-la de forma brusca, impondo as normas do  padrão culto (variante normatizado pela cultura).
A intervenção mediadora do professor pressupõe  transformar os  conjuntos de fragmentos e informações  trazidos pelo aluno (cultura, emoções, linguagem, etc...)  transformando-os em um conjunto integrado, e é sem dúvida uma das tarefas mais difíceis da escola atualmente.
Notamos sem dúvida, que as escolas e educadores que apresentarem menor resistência para admitirem que as apropriações do conhecimento e dos valores mudaram sobre a influência  pós-moderna, terão maior chance de modificarem o quadro atual de alunos com inibição na alfabetização e conseqüentemente conseguirão sucesso na alfabetização.
Segundo JACQUINOT (1998), historiadores e filósofos mostraram muito bem que a escrita e depois a impressão não mataram o saber, contudo modificaram a referencia do saber, isto é, as condições de sua transmissão, através da aprendizagem que era mecânica,  por repetição,  memorização, correspondente da linguagem oral. Ao aparecer a imprensa, valorizou-se o sentido da visão em detrimento dos outros sentidos, donde o interesse  foi delegado a imagem simbólica.
Os educadores  ao   iniciarem  um  trabalho de alfabetização com seus alunos  devem aproveitar o máximo da linguagem oral, através das quadrinhas, parlendas, músicas, canções ou fragmentos de assuntos televisivos, que  em geral eles sabem “de cor” ou memorizam com facilidade, porque  a transmissão é mecânica e  se aproxima da linguagem utilizada.
Num segundo momento, a utilização da imagem televisiva, programas, filmes, fotos, embalagens, marcas ou logotipos, permitem que o aluno imagine o que poderia estar escrito ou  poderá criar um texto com seu próprio conteúdo interpretativo.
Estudos em diferentes  línguas têm mostrado que, de uma correspondência inicial pouco diferenciada, o alfabetizando progride em direção a um procedimento de análise, e passa a  corresponder recortes do falado a recortes do escrito.  É um processo paulatino, mas os alunos irão percebendo as diferenças de modalidades cultas e orais e irão generalizando no seu cotidiano.
Destacamos que essa postura educativa se fundamenta na  utilização da diversidade das realidades sociais e culturais, implicando na mudança do papel do professor como  detentor do saber, cujo papel será então o de mediador. Também o uso dos recursos televisivos ou da imprensa, deverão se pautar numa atividade crítica, por exemplo: “aprender a responsabilidade do contexto da  escrita”, “aprender a distinguir um fato de uma opinião de massa”, etc.
Segundo a autora, o educomunicador  reconhece que não há mais monopólio da transmissão de conhecimento, e que não é só o professor que tem direito da palavra. Os professores que introduziram os meios na escola, a imprensa, a televisão, puderam perceber que isso provoca uma mudança nos objetivos e métodos de ensino.
Enfim, os educadores precisam admitir que as novas gerações possuam outras formas de aprendizagem.
Uma escola transformadora é uma escola consciente de seu papel político, cultural, ético, na luta contra as desigualdades sociais e econômicas, sua função deverá ser de instrumentalizar seus professores para que possam promover condições mediáticas, com o objetivo da formação dos cidadãos do século XXI.
MARINA  S. RODRIGUES ALMEIDA
Psicóloga, Pedagoga  e Psicopedagoga

domingo, 19 de junho de 2011

DISLEXIA na FASE ADULTA

A DISLEXIA NA FASE ADULTA
Se não teve um acompanhamento adequado na fase escolar ou pré-escolar, o adulto disléxico ainda apresentará dificuldades:
· Continuada dificuldade na leitura e escrita;
· Memória imediata prejudicada;
· Dificuldade na aprendizagem de uma segunda língua;
· Dificuldade em nomear objetos e pessoas (disnomia);
· Dificuldade com direita e esquerda;
· Dificuldade em organização;
· Aspectos afetivos emocionais prejudicados, trazendo como conseqüência: depressão, ansiedade, baixa auto-estima e algumas vezes o Ingresso no uso de drogas e álcool.
Feeling do professor
Como é uma síndrome geralmente detectada na Infância, o papel do professor é muito importante, principalmente na fase da alfabetização. Ter o feeling de perceber algo errado com determinado aluno é essencial para evitar traumas futuros. Porém o que muitas vezes acontece é a falta de conhecimento sobre a dislexia que pode trazer avaliações distorcidas. Esse quadro de dificuldade de leitura não tem cura, e acompanha uma pessoa por toda a vida, do Ensino Fundamental até o Superior.
Nenhum professor precisa ser oftalmologista para notar que o estudante não está enxergando bem. O dia-a-dia da sala de aula mostra isso. O mesmo vale para a audição e outras deficiências, como a própria dislexia. O professor percebe que tal pessoa é inteligente, perspicaz, criativa, tem facilidade para fazer uma porção de coisas, no entanto, quando tem que ler, escrever ou entender o que leu, pronto, nem parece a mesma. Esses indícios são os mais significativos.
"Os professores e coordenadores pedagógicos têm que ter algum tipo de treinamento, alguma sensibilidade para detectar que é mesmo dislexia, para não falar que o aluno é folgado, vagabundo e não quer aprender”. O professor de Leitura e Lingüistica da UVA (Universidade Estadual Vale do Acaraú), Vicente Martins "Ninguém enxerga aquilo que não conhece,"

Vestibular
Se o vestibular já é um bicho-de-sete-cabeças para pessoas sem dislexia, imagine, então, para alguém disléxico. Redação, perguntas com enunciados enormes, cálculos, interpretação de textos e tudo isso sob pressão. O tempo também é um fator importante, já que pessoas com essa síndrome têm dificuldade de leitura e, conseqüentemente, levam mais tempo para ler, interpretar e resolver os enunciados.
É por isso que fundações como a Fuvest (Fundação Universitária para o Vestibular) já estão se abrindo para o problema do disléxico. Quem possui a síndrome e comprova através de um relatório idôneo, faz a prova em um local diferente com um monitor que lê as questões para que a pessoa ouça e entenda melhor. Além disso, tem duas horas a mais para realizar o vestibular, pode usar calculadora, construir mentalmente a redação e ditar para que o monitor a escreva. Isso já acontece há dois anos seguidos.
A pessoa disléxica é um mau leitor: é capaz de ler, mas não é capaz de entender o que lê de maneira eficiente. "É uma síndrome que acomete o ser humano. Isso vale para o esquimó, para a aborígine da Austrália, para o japonês, cairçara, pigmeu da floresta africana. E independe de qualquer outra variável. E a pessoa vai ser disléxica sempre, como o canhoto, mesmo que ele desenvolva habilidades na outra mão e supere as dificuldades, sempre será canhota. O disléxico também", observa Braggio. (2005)

Ensino Superior
E será que uma pessoa disléxica pode chegar a uma universidade e completá-la satisfatoriamente? Os professores são unânimes: isso é perfeitamente possível, desde que o aluno avise do problema para a coordenação do curso que irá alertar os docentes para que tenham sensibilidade em lidar com esse estudante. O gênio inventor da teoria da relatividade, Einstein, era disléxico e, no entanto, toda a humanidade reconhece seus feitos. Dislexia não tem nada a ver com inteligência.
As mesmas bases da instrução infantil devem guiar a instrução adulta, utilizando abordagem multissensorial dirigida e estimulando ambos hemisférios cerebrais. A utilização do computador com recursos de auto-correção é altamente recomendável, sempre que seja de interesse e relevância.
“O ser humano vai criar compensações. Ele pode ser péssimo em língua portuguesa e ainda assim um grande líder. Por exemplo, uma das compensações importantes em que o disléxico precisaria ter uma atenção especial é o tempo nas provas e concursos. Não é super proteção, mas considerá-lo realmente como uma pessoa que necessita de atendimento especial", argumenta Martins. Chegar à universidade é uma grande conquista para o disléxico, por isso, hoje em dia, algumas instituições já estão criando laboratórios para dar atendimento a jovens com dificuldades de leitura.
Quando se fala em dislexia, existem dois componentes que devem ser levados em conta: ler e compreender o texto. Quem tem dificuldade de leitura, tem problemas em ler um texto em voz alta e, conseqüentemente, em compreendê-lo. Para quem chega à graduação e passa por uma enxurrada de textos que são necessários para a compreensão e resposta de uma série de questionamentos das diversas disciplinas da grade curricular, é importante que os professores dêem uma orientação e atenção especial.
Os professores devem ficar atentos a alguns sintomas da dislexia em adultos que, caso não tenham tido um acompanhamento adequado na fase escolar, ou, se possível, pré-escolar, ainda apresentará dificuldades na leitura e escrita: memória imediata prejudicada; dificuldade em nomear objetos e pessoas (disnomia); dificuldade com direita e esquerda; dificuldade em organização; aspectos afetivos emocionais prejudicados, trazendo como conseqüência depressão, ansiedade, baixa auto-estima e, algumas vezes, o ingresso para as drogas e o álcool.
O disléxico tem um ritmo diferente dos não-disléxicos. Portanto, evite submetê-lo a pressões de tempo ou competição com os colegas. É importante estimulá-lo e fazer com que acredite na sua capacidade de tornar-se um profissional competente.

Sugestões de boas práticas
As seguintes sugestões de boas práticas serão particularmente úteis para os estudantes com dislexia, mas podem ser úteis aos estudantes em geral. Para além destas sugestões achamos muito importante que o Professor obtenha mais informação sabre dislexia e contacte com os estudantes, no sentido de saber o que para eles e mais útil.

O estudante disléxico na Universidade:
É importante estar alerta para a eventualidade de ter um estudante disléxico entre os que freqüentam as suas aulas. Assim deverá:
· estar consciente de que ele aprende de forma diferente da convencional;
· tentar obter informações acerca dos problemas com que o estudante disléxico se confrontou no secundário, especialmente no que diz respeito:
- capacidade de auto-gestão;
- ao seu sentido de organização;
- à capacidade de tomar notas;
- à gestão do tempo;
- à gestão dos projetos e trabalhos a realizar;
- ao ensino unidimensional;
· reconhecer a frustração que estudante disléxico deve sentir;
· reconhecer que as classificações podem ficar muito aquém do potencial do estudante;
· reconhecer problemas de auto-estima e de depressão;
· demonstrar simpatia, atenção e preocupação;
· oferecer-se para ser o professor-tutor ou nomear-lhe um;
· saber ouvir e aconselhar quando necessário e nas alturas previstas para tal;
· ajudar a organizar os trabalhos;
· planificar os trabalhos com datas bem determinadas (por exemplo, o primeiro trabalho sobre o primeiro capítulo na data x, o segundo na data y ... e assim sucessivamente);
· indicar as leituras obrigatórias nas bibliografias de referência;
· assegurar que os direitos previstos na lei em benefício dos estudantes disléxicos são respeitados, nomeadamente em matérias de exames: intervalos, tempo suplementar, leituras, utilização de computadores portáteis, etc.;
· ajudar os estudantes a preencher formulários e a redigir pedidos relacionados com os seus direitos;
· insistir no reforço dos talentos naturais do estudante.


Nas aulas
Os estudantes com dislexia lêem e escrevem mais lentamente do que os outros estudantes, assim é para eles, muito difícil acompanhar as aulas tirando notas. Estes estudantes podem também encontrar dificuldades em ler acetatos / apresentações nas aulas, pois têm dificuldade em compreender o que lêem e em copiar.
· Fornecer um resumo quando se introduz um novo tópico, de forma a iniciar a familiarização do estudante com o assunto - salientar as idéias principais e palavras-chave;
· fornecer textos de apoio às aulas, de forma a diminuir a quantidade de notas que o estudante tem que tirar numa aula;
· usar múltiplas formas de apresentar a informação: vídeos, slides, demonstrações práticas, bem como ir falando ao longo da apresentação de textos;
· prever tempo para os estudantes lerem os textos de apoio às aulas, sobretudo se esses textos vão ser mencionados no decurso de uma aula;
· introduzir tópicos e conceitos novos de uma forma óbvia – explicar termos e conceitos novos;
· dar exemplos para ilustrar um ponto de vista, uma perspectiva, um assunto;
· fazer pausas regulares para permitir que os estudantes possam acompanhar;
· perguntar ao estudante disléxico se está conseguindo acompanhar o trabalho nas aulas;
· fornecer material escrito, formatando-o num estilo simples, claro e conciso;
· usar preferencialmente material impresso em detrimento de notas escritas à mão;
· evitar fundos com imagens ou figuras;
· uma fonte clara como o Arial ou o Comic Sans é mais fácil de ler do que fontes como o Times New Roman;
· não devem ser usadas demasiadas fontes diferentes num mesmo texto;
· não usar blocos densos de texto. É aconselhável o uso de parágrafos, diferentes tipos de cabeçalhos, símbolos gráficos a destacar partes de textos e numerar textos;
· destacar partes de textos ou palavras usando preferencialmente o negrito em detrimento do sublinhado ou itálico;
· imprimir em papel de cor pode ser mais fácil de ler para alguns estudantes com dislexia. Alguns estudantes com dislexia usam acetatos de cor que colocam por cima do texto para facilitar a leitura.
· são de evitar as tintas vermelha e verde, pois estas cores são particularmente difíceis de ler.
· usar formas alternativas de apresentar conteúdos como gráficos, diagramas, etc.

Avaliações
Em situação de avaliação as capacidades de escrita e ortografia do estudante universitário disléxico podem piorar devido à pressão do tempo. Estes estudantes podem igualmente usar um tipo de linguagem mais básica, evitando palavras longas que lhes torna mais lento o processo de expressão escrita.
· As perguntas devem ser expressas em Iinguagem clara e concisa;
· combinar com os estudantes disléxicos a data de entrega de trabalhos;
· permitir a este estudantes o uso de corretores ortográficos e/ ou outras formas de trabalho que os ajudem a detectar e corrigir os próprios erros;

Trabalhos práticos
Podem surgir dificuldades quando estes trabalhos exigem apresentações escritas com prazos muito curtos – trabalhos escritos à mão podem ter uma péssima apresentação, bem como conter muitos erros ortográficos.
· Deve ser permitida a entrega destes trabalhos impressos, portanto escritos usando o computador;
· os estudantes disléxicos podem ter dificuldades em seguir instruções, de forma que estas devem ser claras e simples;
Estratégias de apoio à avaliação e classificação e classificação
Deve sempre dar feedback ao estudante sobre a avaliação que fez do trabalho apresentado por ele. Sempre que necessário deve conversar com ele sobre esse assunto.
Quando pontua um trabalho use marcadores diferentes para diferenciar o conteúdo da apresentação (ortografia e gramática, bem como organização das idéias).
Comemorar?
Sim, o disléxico tem como predominante característica a dificuldade no manejo da palavra conquanto símbolo gráfico.
Em contrapartida tem,
* Ótima noção de situação, com seu senso de contexto e oportunidade,
* Aguçada percepção da tônica do momento, com apurada intuição e sensibilidade,
* Excelente memória fotográfica e orientação espacial,
* Grandes habilidades como estrategista e visão de conjunto,
* Importantes habilidades sociais e empatia,
* Desenvolvida competitividade e perfeccionismo,
* Natural criatividade e inventividade,
* Enorme alegria e espontaneidade,
Que o tornam ... um vencedor!